[Resenha] Passarinha, Katherine Erskine

novembro 30, 2017 0 Comments

Desfecho (segundo o dicionário Houaiss) : Solução que se encontra para um negócio, uma questão ou uma situação difícil ou complicação

Talvez você esteja se perguntando porque eu comecei a resenha com a definição de uma palavra, mas fica tranquilo vou te falar o motivo disso agora mesmo. Caitlin está procurando exatamente o desfecho para sua família, que no caso é ela e seu pai. A personagem principal é autista, portadora da Sindrome de Asperger, e acabou de passar por uma situação muito assustadora, afinal um atentado causado por um atirador tirou a vida de várias pessoas, entre elas seu irmão Devon.

Caitlin tinha em Devon uma espécie de porto seguro, isso porque ela tem uma baita dificuldade de captar o sentido das coisas. O livro explicita os obstáculos causados pelo fato de que ela não consegue entender bem quando as pessoas se utilizam de termos ou olhares, pois não são literais. Por isso, soa ainda mais difícil seguir em frente, ainda mais porque o pai de Caitlin está arrasado com a perda do filho.

Acho que eu não vou gostar nada disso. Acho que vai doer. Mas talvez depois da dor eu consiga fazer uma coisa boa e forte e bonita de tudo isso.

Pode ficar calmo, o livro não é um poço de sofrimento, pelo contrário. A autora abre discussões por meio da visão da Caitlin – porque é ela que narra toda história – sobre a forma como pensa expondo a lógica por trás das ações da protagonista e nos levando ao mundo dessa garotinha. Ao mesmo tempo, a orientadora da Caitlin, Sra. Brook sugere que ela desenvolva empatia (ou auteridade – que é tentar se colocar no lugar do outro) pelas pessoas e adivinha o que acontece conosco quando começamos a ler este livro? Exatamente isso, começamos a ver além da nossa própria forma de ver o mundo, por isso esse livro é incrível!


Você pode abrir e fechar os livros um milhão de vezes que eles continuam os mesmos. Têm a mesma aparência. Dizem as mesmas palavras. (...). Livros não são como pessoas. Livros são seguros.

Claro que essa missão não será nada fácil para nossa querida Caitlin, uma vez que ela tem uma dificuldade muito grande de fazer novas amizades, de ser compreendida pelas outras pessoas e de compreender a forma como os outros se portam. Esse livro me cativou porque a Caitlin não é a única que passa por isso, eu me recordei de várias situações as quais eu não entendi e julguei a  atitude das pessoas a minha volta, sem me importar com o que elas estavam pensando, nem me esforçar para entender porque estavam agindo dessa forma. Portanto, esse livro não se trata de uma história triste para fazer todos chorarem, é sobre como todos nós nos comportamos uns com os outros independente se temos autismo ou não.


Para terminar, não posso esquecer de falar da referência feita ao livro – e filme – O sol é para todos (To Kill a Mockinbird) publicado pela primeira vez em 1960. É super fofo a conexão entre as duas histórias, o que me deixou muita curiosa para fazer essa leitura! Bem, está mais que na cara que ameeeiii este livro de coração e indico para todo mundo, sem exceções!

Você já leu? Quer ler? Me conta nos comentários! Um beijão da Yana.

[Sétima Arte] Meu Primeiro Dorama, Strong Girl Bong Soon

novembro 11, 2017 0 Comments

Olá, pessoas do meu coração! Hoje, vim falar de um dorama que estou completamente apaixonada, e adivinha? Você devia assistir! Para quem não sabe esse estilo televisivo pode ser comparado a uma novela, mas não é nada como as que estamos habituados, afinal é oriental. Temos doramas chineses, japoneses, coreanos e tailandeses, isto é, de muitos tipos. Além disso, são bem dramáticos assim como podem se modificar muito, mostram culturas muito distintas das quais estamos acostumados, geralmente não tem dublagem e com certeza vão te surpreender!



Strong Woman Do Bong Soon / 힘쎈여자 도봉순
Episódios: 16 | Emissora: JTBC | Ano: 2017

Sinopse: Ela não é uma mulher comum. Do Bong Soon (Park Bo Young) é uma mulher que possui força hercúlea. Ela pode esmagar objetos em suas mãos quando ela os segura muito forte. Embora Bong Soon deseje ser uma mulher delicada e elegante que os homens se apaixonam, ela não pode negar sua força sobre-humana. Seu atributo especial lhe permite obter um emprego como guarda-costas para Ahn Min Hyuk (Park Hyung Sik), o herdeiro de chaebol* com tendências excêntricas que dirige uma empresa de jogos. O amigo de infância de Bong Soon, Gook Doo (Ji Soo), teve uma paixão secreta por ela desde a escola primária. Como ele vai reagir quando faíscas começam a voar entre Bong Soon e seu chefe louco?

( Chaebol (ou Jaebol, Jaebeol; IPA: ['ʨɛːbəl])  é o termo coreano que define um conglomerado de empresas em torno de uma empresa-mãe, normalmente controladas por famílias, tais como Samsung, Hyundai e LG.) Fonte: Wikipedia

Está é a primeira vez que eu venho falar sobre algo que assisti, até porque é muito raro eu assistir alguma série do início ao fim quando estou em momento de estudo. No entanto, por mais que essa sinopse pareça ser totalmente sem nada de muito importante, quando eu comecei a assistir acabei sendo conquistada pelo mundo dos doramas, Strong Woman Do Bong Soon é meu primeiro dorama coreano!
                                     Gook Doo, Do Bong Soon e Ahn Min Hyuk - nessa ordem

Os personagens acima são muito fofos! Para começar Do Bong Soon está desempregada e nunca se interessou muito por estudar, assim ela está sempre tentando compensar ganhando dinheiro em algum emprego. O que nós começamos a descobrir é que ela é muito forte fisicamente, mas esconde esse poder com medo das consequências que a exposição pode causar. Ela não pensava que em meio a uma grande confusão iria conhecer Ahn Min Hyuk, CEO que está sendo ameaçado por alguém misterioso – com a promessa de um bom salário e quem sabe poder fazer algo que ela goste – no caso mexer com jogos –, além de protegê-lo com sua super força.


A história não é nada inovadora nesse ponto, afinal conhecemos várias histórias com pessoas descobrindo seus poderes ao mesmo tempo que viram grandes super heróis, só que gente, isso é um dorama! Para quem não sabe, aqui você vai dar altas risadas das mancadas dos personagens, estranhar alguns pontos da cultura coreana como vestimenta e comida, além de torcer muito para que o casal que você shippa fiquem juntos no final!

Bem, não sei se está na cara, mas teremos um triângulo amoroso na história. Geralmente isso me incomoda bastante porque eu sempre sei com quem a moçinha vai ficar no final e parece que o cara está lá só para atrapalhar, no entanto ao longo da história eu fiquei na expectativa da Bong Soon estar com um e depois parecia que ela ia ficar mesmo era com o outro. Na verdade, não soou forçado e nem repentino, o que mais gostei desse gênero até o momento é que tudo é uma construção (já estou assistindo outro dorama e estou sentindo isso também), aos poucos as coisas vão acontecer, e eu fiquei vidrada até o fim torcendo!

Outro ponto dessa história que me deixou bastante satisfeita, é que o dorama não vai girar em torno de uma coisa só. Porque o Gook Doo é um amigo próximo de Bong Soon, e está acostumado com as muitas enrascadas que ela se mete, só não sabe o motivo. Ele é um policial honesto – coisa que segundo eles não é comum, sentiu a crítica? – que começou a investigar juntamente aos seus colegas de trabalho sobre uma atividade criminosa bem bizarra que apareceu no bairro. A nossa protagonista está envolvida porque ouviu a voz do homem que está fazendo as loucuras todas e aos poucos vamos descobrindo quem ele é e quais são os planos dele, o que deixa o dorama muito legal!



No geral, o objetivo é ser algo bem leve. Nada de cenas muito pesadas para adolescentes, mas esse cara esquisito que você vê ai em cima ajudou a tirar a história de algo totalmente leve, porque houve sim momentos de tensão e violência. Ah, já ia me esquecer, os personagens secundários são hilários! Os pais da Bong Soon e as amigas da mãe dela são pessoas muito divertidas e bem loucas, ademais temos outros personagens que vão acrescentar várias cenas divertidas ao dorama, fato que também me deixou muito satisfeita porque torna tudo muito engraçado. Claro que nem tudo é perfeito, porque vocês sabem né? A trama trata de assuntos bem fortes sem deixar pesar muito, mas você vai perceber alguma coisa de relacionamento abusivo, o olhar da sociedade sobre a mulher, dilemas sociais...


Mãe de Bong Soon (de verde) e suas amigas

Enfim, recomendo demais que você veja e vou parar com a descrição por aqui. Afinal, eu achei esse k-drama sensacional, e poderia ficar falando dele por horas, mas não quero te contar nada que não deve ser dito, certo? E aí, estou enlouquecendo com os doramas, me recomenda algum?!? Conte-me se já assistiu esse!



[Resenha] O lado feio do amor, Colleen Hoover

novembro 07, 2017 1 Comments

Tate Collins acaba de se mudar para o apartamento de seu irmão. Ela não muito acostumada a dividir o seu espaço com ele, mas, como piloto de uma companhia aérea grande ele quase nunca estará em casa. Além disso ela precisa juntar um dinheiro enquanto termina sua faculdade de enfermagem, e entre trabalhos e estudos ela mal terá tempo para se incomodar com ele. O mesmo não pode ser dito do seu mais novo vizinho, Miles.
“Todas as coisas são Miles.
É assim quando alguém se sente atraído por uma pessoa. Ela não está em lugar algum e, de repente, está por todo canto, quer você queira ou não.”
Miles é piloto na mesma companhia do irmão de Tate, Corbin mas a primeira vez que ela o vê ele está tão bêbado que ela mal acredita que ele pode ser amigo do seu irmão. Depois de um mal entendido resolvido, ela começa a se sentir atraída por ele, mas, por causa de um passado que ele não quer compartilhar, ele se recusa a se envolver emocionalmente com ela. Tate sabe que está se envolvendo numa enrascada quando aceita ir para a cama com ele para se satisfazerem sexualmente, sem terem um relacionamento de verdade. Ela não pode fazer perguntas sobre o passado, não pode esperar um futuro. Como um relacionamento assim pode dar certo?


Esse foi meu primeiro livro da Colleen Hoover, e devo dizer que me apaixonei pela escrita dela. Os capítulos narrados ora por Miles ora por Tate dão uma conotação muito mais verdadeira a história. Enquanto Miles nos conta de uma forma poética tudo o que aconteceu até que ele conhecesse o lado feio do amor, Tate nos faz ficar com o coração apertado enquanto narra a sua busca por um relacionamento que ela mesma sabe que não funciona.
“A diferença entre o lado bonito e o lado feio do amor é que o lado bonito é bem mais leve. A pessoa se sente como se estivesse flutuando. Ele ergue a pessoa. Carrega-a consigo.
(...)
As partes feias do amor não são capazes de erguer uma pessoa.
Elas puxam você para
B
 A
  I
   X
    O.”
É muito bonito ver os dois se abrirem um para o outro, enquanto um aprende a compreender e dar espaço, o outro aprende que é preciso se abrir e se arriscar. Esse casal com certeza conquistou meu coração, e a narrativa da Colleen me prendeu de uma forma tão forte que eu comecei o livro e terminei logo no dia seguinte. Eu mal podia esperar uma brechinha da faculdade para voltar a ler. Se você quer um romance que seja simples, delicado mas que guarda um fundo bastante intenso, com certeza vai amar esse aqui!

“São momentos bonitos como esse
que fazem valer o amor feio.”

[Resenha] 50 Contos de Machado de Assis - Seleção por John Gledson

novembro 04, 2017 0 Comments


     Temos o hábito de ficar super assustados com leituras consideradas mais difíceis, e quando o assunto é tio Machadão rola aquele medo de não entender absolutamente nada! Na verdade, não há como negar que para ler Machado de Assis precisamos estar dispostos a amadurecer como leitores, e buscar algumas informações sobre as suas características como escritor, o momento em que vivia, porque escreve da forma que vemos. Esse processo, traumático para muitos, aconteceu de forma mais tranquila para mim porque no cursinho – e antes no ensino médio -  tive a oportunidade de ouvir meus professores de literatura falando sobre o autor de forma totalmente apaixonada, isso ajudou bastante.

     Por isso, trouxe esse post na véspera do Enem, para falarmos um pouco sobre esse livro de contos do Machado, dos  50 – não dá para falar de todos em um post – escolhi falar sobre 3 contos que me chamaram atenção e que fizeram meu coração bater forte por Machadão, só que antes listarei algumas características marcantes desse escritor para entendermos um pouquinho porque ele é tão importante para literatura brasileira e internacional.

Algumas características do Machado de Assis:
1 ) Ironia : Geralmente as obras dele são recheadas por cenas ou falas irônicas por parte dos personagens ou acontecimentos na narrativa.
2) Intertextualidade: Para quem não sabe, isso quer dizer que Machado adora citar outros atores ao longo de seus livros, as vezes isso pode dificultar o nosso entendimento, mas posso dizer que muitos livros explicam a quem ele faz referência para nos ajudar a entender.
3) Interlocução:  Nosso autor gostava de falar diretamente conosco! Em sua obra Memórias Póstumas de Brás Cubas há momentos em que ele se dirige especialmente para leitor. (nem sempre isso é agradável, eu senti que ele nos xingou nessa obra (risos). Brincandeirinha!)
4) Digressão:  Machado nem sempre narra a história de forma linear, com um começo, meio e fim. Ele costuma quebrar a história em partes diferentes ao longo da narrativa.
5) Análise Psicológica: Machado costumava fazer observações sobre o comportamento  e percepções sobre o relacionamento humano, e isso é bem presente na construção dos seus personagens.

Bom, foram só algumas das várias características que ele tinha na escrita, então vamos conhecer os contos?
A Cartomante
Parte da capa do HQ "A Cartomante" publicada pela Zahar em 2008


     Esse conto começa com Rita conversando com seu amante Camilo sobre o fato de ela ter visitado uma cartomante, e para surpresa da personagem a vidente adivinhara que o motivo da ida de Rita até lá era para saber se eles ficariam juntos ou não. Porém, enquanto Camilo achava tudo isso uma grande bobagem, Rita acreditava nas palavras da mulher, o que tranquilizou os dois, afinal eles eram amantes, esse fato fez com que eles continuassem se encontrando as escondidas de Vilela, o marido.
     O problema era que Camilo recebera um bilhete afirmando saber o que ele e Rita estavam fazendo, a partir daí ele sentiu que Vilela – seu amigo de infância – ficou mais frio com ele e por isso Camilo também se afastou. Só que um dia, ele recebeu um bilhete de Vilela que dizia “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora”, Camilo ficou apavorado com a notícia, por isso no caminho até a casa dele, resolveu visitar a cartomante deixou o rapaz com a sua previsão, e sim um  final surpreendente.

“A virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo”

     Esse conto é muito interessante, a fala acima é de Rita, se tratando de uma conversa entre o casal em um momento de medo da ameaça recebida. O conto nos ajuda a deixar a idealização da mulher de lado porque mostra que a mulher não é um anjo, também trai. Além disso, demonstra que a cartomante estava claramente se aproveitando do fato de que ambos queriam ser confortados, então ela falava apenas aquilo que eles querem ouvir. Com isso Machado propõe uma forma inteligente de falar sobre assuntos polêmicos para época ao mesmo tempo que marca um dos contos mais famosos da sua carreira.

Pai contra Mãe
       
 Tia Mônica, Clara segurando as mãos de Cândido ( Representação de Teatro em 2013 - Insensata Cia de Teatro)


     Cândido Neves não gosta de trabalhar, mas quer formar uma família. Por isso, encontra uma moça chamada Clara, ambos se apaixonaram e se casaram. Só que Tia Mônica os alertou que eles deveriam se abster de ser pais no momento porque eles não tinham riquezas, quer dizer eles não tinham quase nada. Clara cozinhava com a tia, mas é óbvio que isso não era suficiente para sustentar uma família, sobretudo porque Cândido não ficava se mantinha em um emprego fixo.
      As coisas começam a ficar complicadas quando Clara engravidou de um menino e Cândido se desesperou a fim de conseguir um emprego, o que ele conseguiu foi uma tarefa muito comum na época, a de captura de escravos fugidos. Inicialmente, esse trabalho dá certo, no entanto com o tempo esse serviço começou a falhar e a família começou a passar fome, além de Tia Mônica sugerir que a  criança deve ser "entregue para adoção" - ou como dito no conto para a roda dos rejeitados -  a fim de não passar necessidades como todos eles.

“Nem todas as crianças vingam”

     Esse texto é um dilema assim como o conto O caso da vara, pois Cândido é o pai e a mãe que ele se põe contra é uma escrava grávida (não falei antes porque pode atrapalhar quem vai ler). O conto retrata a dura realidade da escravidão, pois expõe os castigos e a falta de liberdade que esta condição trazia sobre a pessoa, afinal a escrava mesmo grávida era digna de um tratamento cruel em detrimento da vida de Cândido e sua família. Lembra que eu te disse que ele capturava escravos? Machado vai criticar esse período, ainda que algumas pessoas digam que ele não tenha falado do assunto, mostrando o imaginário preconceituoso da época, além do destino horrível das pessoas que não são donas de si mesmas.

O Alienista
Foto não-autoral 

     Simão Bacamarte é um médico renomado que adora pesquisar sobre a loucura, e por isso ele volta a sua cidade para fazer um manicômio chamado Casa Verde. Inicialmente, ele começa internar pessoas que realmente precisavam de tratamento, mas com o tempo ele se entrega em amor a essa atividade, e sua esposa Evarista sente falta dele. Um dia, o Simão recolheu o Costa – um homem bom que emprestava dinheiro as pessoas porque ele tinha uma herança, mas as pessoas não o devolviam porque ele não tinha coragem de cobrar de volta. – para a Casa Verde, o que deixou as pessoas de Itaguaí revoltadas. Daí, a prima do Costa fez um comentário sobre o ocorrido e foi recolhida também ao manicômio.  A partir desse momento o médico recolheu muitas outras pessoas, posteriormente até mesmo as pessoas mais inocentes.

“- A saúde da alma, bradou ele, é a ocupação mais digna de um médico.”

     Gente, essa história aqui é muito louca, mas eu gostei muito. Lembro-me que refleti sobre o papel da ciência nas nossas vidas e se podemos aceitar tudo que é dito cegamente, além de pensar em buscar conhecimento para não queremos questionar sem saber de nada e nem ser passado para atrás. Na verdade, a mensagem que eu senti sendo passada pelo Machado nessa história é ainda mais profunda porque ele nos leva a querer fazer uma sondagem psicológica de nós mesmos!




     Enfim, este post ficou maior do que eu esperava que ele ficaria, mas estou muito feliz por ter feito. Espero que ele possa ter representado um pouco o porquê de termos Machado de Assis como um grande escritor, e por despertar em você o desejo de ler algum desses contos. Tenho uma dica para você, achei um canal chamado Metaforizando Pensamentos (clique aqui para ver)  em que há analises de todos os contos desse livro, é sensacional porque tive dificuldade para entender e fui auxiliada por esse canal. Já leu algo do Machado? Me conta o que achou!





RESULTADO TOP COMENTARISTA

novembro 01, 2017 1 Comments


Olá pessoal!


Como dito, sorteamos um post para fazer nele o sorteio do Top comentarista. O post escolhido foi: [Experiência Literária] Lendo em inglês: The Statistical Probability of love at first sight, Jennifer E. Smith.
A ordem dos comentários participantes foi:
1- Sara de Oliveira Lino
2- Yohana Sofia
3-  Ana Clara de Souza Coelho


Sara Lino, você foi a ganhadora! Você tem 48h para entrar em contato e requerer o seu prêmio. Obrigada pela participação de todos

[Resenha] Razão e Sensibilidade - Jane Austen

outubro 28, 2017 10 Comments
amor, janeausten, ellinor, marianne, edwardferrars, editoramartinclaret, resenha, marshmallowcomcafe

John Dashwood herdou uma propriedade do pai e prometeu a ele que ajudaria financeiramente as irmãs e a madrasta a fim de que não passassem por necessidades. No entanto, convencido pela esposa Fany, resolveu que as senhoritas Dashwood não precisariam tanto assim de sua assistência. Ellinor, a mais velha,  notou que a bondade do seu meio-irmão não seria estendida a elas, por isso tratou de procurar um lugar para que ela, as irmãs e a mãe pudessem viver, sobretudo se esse lugar fosse longe da sra. John Dashwood que fazia de tudo para mostrar que era a nova dona da casa em que elas viviam.
Marianne e Margaret eram as mais novas, talvez por causa disso estavam comportando-se de forma hostil em relação a esposa do meio-irmão, só que isso começou a mudar um pouco quando Edward Ferrars chegou e começou a se afeiçoar a Ellinor. Para a tristeza de todas, tiveram que se mudar da casa que estavam e foram morar em Devonshire. Essa situação claramente trouxe novas perspectivas para elas, pois tiveram oportunidade de conhecer novas pessoas e construir um vínculo de amizade, além de conhecerem novos rapazes que vão balançar o coração das mocinhas ao mesmo tempo que elas vivem intensas confusões devido a falta de dinheiro!
"Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras."
Primeiro, este livro me surpreendeu muito! Afinal, por mais que nós saibamos que isso se trata de um romance, a minha amada Jane Austen provou que uma narrativa bem construída pode causar muitos efeitos inesperados. Com certeza, as reviravoltas dessa história colocaram as pessoas em dúvida se aconteceria ou não as histórias de amor que esperamos, e se essa história seria ou não feliz. Este foi um ponto positivo, pois fiquei até o fim fazendo teorias sobre como tudo terminaria. Outra coisa que me agradou, é que a Jane retrata moças pouco abastadas, por isso você começa a refletir sobre as leis inglesas daquele tempo, e como estas podiam desamparar a mulher quando o homem não estava presente mais, dentre outros pensamentos.
amor, janeausten, ellinor, marianne, edwardferrars, editoramartinclaret, resenha, marshmallowcomcafe

Outro ponto, é que todos os personagens são muito marcantes. As personalidades de cada um serão bem definidas e você vai perceber! O livro não chama razão e sensibilidade por qualquer motivo, a minha conclusão foi que eu sou um pouco de ambos. Há momentos em que sou extremamente racional e em outros sou coração demais! Um detalhe que eu vi que muitas pessoas reclamaram, mas que mais uma vez eu não concordo, é que a história demora para se desenrolar. Eu estava esperando tranquila o momento em que uma treta fosse acontecer sem duvidar de nada, e posso afirmar que não me decepcionei.

Sobre o filme, recomendo que vocês vejam depois de ler o livro, porque há algumas revelações, que na minha singela opinião, foram bem melhor desenvolvidas pela escrita da rainha Jane Austen! O filme é de 1995, o Hugh Grant é um dos mocinhos e fiquei passada por perceber que essa adaptação tem 22 anos! Devo lembrar que essa não é a única versão cinematográfica dessa história e você pode procurar várias outras dando uma pesquisada.
amor, janeausten, ellinor, marianne, edwardferrars, editoramartinclaret, resenha, marshmallowcomcafe

amor, janeausten, ellinor, marianne, edwardferrars, editoramartinclaret, resenha, marshmallowcomcafe

amor, janeausten, ellinor, marianne, edwardferrars, editoramartinclaret, resenha, marshmallowcomcafe



Gente, o que dizer sobre a capa desse livro? Posso dizer que A-M-E-I e estou doida para comprar a edição azul, que tem outras obras da autora! As letrinhas são pequenas, por isso há pessoas que preferem ler em outras versões – não foi algo que me incomodou, mas é sempre bom avisar. Um beijo da Yana.

Porquê ler: Mauricio de Sousa

outubro 27, 2017 4 Comments

Hoje uma pessoa que eu admiro muito e sou super fã completa 82 anos! Essa pessoa é ninguém mais, ninguém menos que Mauricio de Sousa!!

Para homenagear essa pessoa que marcou minha infância resolvi fazer esse post com motivos para ler a obra de Mauricio.

1) Iniciação à Leitura
Bom, eu sei que se você está aqui é porque já tem o hábito de leitura, mas como eu aprendi a amar a ler através das revistinhas da Turma da Mônica, preciso dizer que para mim esse é o melhor método para ensinar a uma criança o quão é bom ler. Então, se você tem uma criança próxima a você e quer lhe mostrar esse mundo mágico, já sabe ne? É só dar revistinhas de Turma da Mônica e esperar pelo resultado!

2) Diversidade
Desde a mocinha mal humorada e marrenta (com a qual eu me identifico bastante), o garoto que fala “elado”, passando pelo cientista, até a criança cega e a autista, Mauricio abrange todas as crianças em suas as histórias. Ele faz isso de uma forma leve e descontraída, ensinando que a diversidade existe e que deve ser respeitada!!

3) Diversão
Até hoje eu ainda não achei uma história em quadrinho que fosse tão divertida e legal de ler quando as de Mauricio de Sousa Produções! Adoro tirar um momento para reler os quadrinhos antigos e comprar os novos para me distrair e rir bastante dessas histórias que ainda encantam muito diversas gerações!

Eu tenho mais inúmeros motivos para ler Maurício de Sousa, mas hoje vou deixar vocês com esses 3. Se tiverem mais algum motivo, é só me contar aqui nos comentários, que vou adorar conhecer todos!! 

[Resenha] Outlander - A viajante do tempo, Diana Gabaldon (Livro #1)

outubro 26, 2017 5 Comments

Claire Randall é uma enfermeira que acabou de voltar do seu trabalho no campo de guerra, no ano de 1945. Ela e seu marido, Frank Randall, viajam para a Escócia em busca de descanso e um tempo para relaxar depois de tantos anos separados pela guerra. Frank é apaixonado pela sua genealogia, e aproveita essa viagem para as Terras Altas para pesquisar mais a respeito dos seus ancestrais. É nesse passeio que a nossa história começa.

Claire é uma entusiasta das plantas, e enquanto seu marido anda mostrando-lhe a arquitetura e as paisagens, compartilhando com ela as histórias dos períodos passados, ela busca no meio das folhas, flores e frutos algo que sirva para ela como fonte de pesquisa, principalmente para medicamentos. Num desses passeios ela conhece a colina de Craigh na Dun, um lugar mágico, supostamente habitado por fadas e espíritos antigos. Cética em relação a isso, Claire se sente atraída pelas pedras e quando toca em uma delas é transportada diretamente para o século XVIII.
-Não tem medo que eu possa matá-lo durante o sono uma noite, se não souber quem sou?
(...)
Colocou o braço sobre os olhos de novo e esticou a cabeça para trás, mostrando o lugar onde a barba escura por fazer parava repentinamente, logo abaixo do maxilar. -Direto para cima, logo embaixo do esterno - instruiu ele. - Rápido e limpo, embora seja necessário um pouco de força.
Inclinei-me para pegar a adaga.
-Seria bem feito para você se eu o fizesse -observei. - Filho da mãe convencido.
O sorriso visível por baixo da curva do seu braço se ampliou ainda mais.
-Sassenach?
Parei, a adaga ainda nas mãos.
-O que?
-Eu morreria feliz.
Numa época totalmente diferente da dela, sendo acusada de bruxaria e tendo que suportar o assédio dos homens daquele período, Claire conhece Jamie MacTavish (sim, um nome falso para o nosso querido Jamie), um jovem escocês que está com sérios problemas, com riscos que o perseguem por todos os lados. Os dois iniciam uma amizade que evolui aos poucos com confiança e cuidado, e que vai crescer até o final da história.

Eu adiei em pelo menos seis meses a leitura desse livro. Li a sinopse e vi várias vídeo-resenhas, além de assistir os primeiros episódios da série, mas apesar de muito interessada na história eu tinha medo do tamanho desse livro. 800 páginas me desanimaram um pouco, mas que bom que eu li! Se você tem tanto medo de calhamaços quanto eu, pode começar por esse aqui. A escrita da Diana é leve, e a Claire tem um jeito delicado de contar mesmo as partes mais pesadas do livro. Ainda que haja guerra e muita violência, todos os detalhes são contados de uma forma que nos choca, e que apesar de pesado, apenas refletem a época e não deixam o livro ruim em nenhum momento. A parte histórica que poderia dar ao livro um ar cansativo, foi contada aos poucos no livro, o que deixou tudo ainda mais ilustrativo (e fez todo mundo morrer de vontade de visitar a Escócia!).


É difícil escolher o que eu amei mais nesse livro, mas acredito que, apesar de toda a beleza dos lugares e a riqueza de detalhes históricos, a minha parte favorita ainda é o casal. Claire foi para o passado casada, e amava realmente o seu marido, então é bonito observar a fidelidade dela e o cuidado com Jamie, mesmo sem nenhum interesse romântico. Quando as circunstâncias fazem com que eles fiquem juntos, a química que já tinha ficado clara faz com que os dois formem um casal incrível, apesar da diferença cultural (de países e de épocas), e é impossível não se apaixonar por esse casal.

Ah, eu acredito que esse livro tenha uma classificação indicativa de uns 16 anos, então se você+ tem menos que isso, deveria adiar a leitura. Mas se você tem mais, ama romances de época, gosta de detalhes históricos – incluindo a guerra – não pode deixar de ler esse livro. E se você ainda está em duvidas, por que não assiste a série? Espero que gostem!

[Experiencia Literária] Tenho menos de 16 anos, o que ler?

outubro 21, 2017 9 Comments
serie cris, serie selena, serie katie, robinjonesgunn, editorabetania

Alguns adolescentes tem me procurado muito para perguntar o que ler! Tendo em vista o fato de que até hoje eu não li Harry Potter e nem acho que o Hobbit seja uma boa indicação para quem está começando no mundo da leitura – apesar de o livro ser maravilhoso, cara eu super recomendo para todo mundo –  por isso acabo ficando muito em dúvida sobre o que recomendar. Só que dessa vez eu pensei com carinho e tenho uma indicação para você!
Claro que essa série de livros pode ser lida por pessoas de todas as idades, mas vai marcar mais jovens por se tratar de temas que acontecem nas nossas vidas enquanto somos mais novinhos. Gente, essa série está no meu coração!!! Sério mesmo! Eu leio desde quando eu tinha uns 11 anos, e estou falando da Série Cris da autora Robin Jones Gunn.


Sobre o que você vai ler?
É uma série de 12 livros que contam a trajetória de uma adolescente de 14 anos chamada Cristina Miller, começamos acompanhar a história quando ela finalmente sai do interior para viver uma aventura na Califórnia onde vai passar as férias com os tios ricos. Lá, ela vai começar a pensar sobre sua identidade, atitudes e o que pode fazer ou não para ser aceita em um grupo. Além disso, vai refletir sobre o que pensa de Deus bem como lidar com um novo amor.
Esses livros vão mostrar o amadurecimento da personagem durante as situações que ora deixaram a Cris louca, ora aliviavm o coração dela. Os livros não ficam chatos porque ela não permanece para sempre com a mesma idade, a medida que vai crescendo vai enfrentar novos desafios e precisará descobrir como superá-los.
serie cris, serie selena, serie katie, robinjonesgunn, editorabetania


serie cris, serie selena, serie katie, robinjonesgunn, editorabetania


Essa série é ótima de ler, porque:

1 – Apesar dos 12 livros, não tem mais de 150 páginas cada livro. Por isso é uma leitura rápida.
2 – A linguagem é muito boa para quem está começando a ler por agora ou quer ler algo mais leve.
3 – Não tem passagens com conteúdo adulto, claro que isso não significa que tudo é lindo e maravilhoso, apenas que cenas fortes demais não fazem parte da narrativa.


Conhece a série? Aposto que mesmo se não conhecer, você pode deixar nos comentários outros livros ou séries que podem ser indicadas para quem é mais jovem para que eu possa renovar  o repertório. Qual é a sua indicação?
serie cris, serie selena, serie katie, robinjonesgunn, editorabetania



serie cris, serie selena, serie katie, robinjonesgunn, editorabetania

OBS: A autora Robin Jones Gunn tem outras séries nessa mesma linha que foram publicados depois de Série Cris. Estou falando da série Selena e Katie, além de ter outras obras que não foram publicadas no Brasil sendo que algumas delas estão disponíveis na Amazon (clique aqui para ver)

[Resenha] O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

outubro 19, 2017 4 Comments
Oscar Wilde

Cada um de nós, Basil, tem em si o céu e o inferno!
O Retrato de Dorian Gray é um romance de 1890 escrito por Oscar Wilde. O livro tem o foco voltado para três personagens: Dorian Gray, Basil Hallward e Henry Wotton. Tais personagens são o retrato fiel da alta sociedade da época.

Dorian particularmente é dotado de uma beleza extraordinária que encanta todos à sua volta. Quando Henry o apresenta à Basil, o mesmo fica completamente encantado e decide fazer um quadro de Gray para eternizar essa beleza.
Devemos absorver o colorido da vida e não guardar na memória as suas minúcias. As minúcias são sempre vulgares.
A partir do quadro de Basil e de amizade dos três o livro se desenvolve fazendo uma crítica à toda a sociedade, seus hábitos, valores e conceitos. Além do mais, Wilde não deixa explícito, mas esboça um romance gay no livro que vai de encontro ao pensamento da época.

Apesar de o livro contar com 127 anos, ele permanece super atual e com a narrativa bem realista em relação à sociedade dos dias de hoje. Outro ponto que me chamou muito a atenção é o fato de a linguagem ser bem fluida e gostosa de ler. 

Oscar Wilde

A minha edição deste livro é da Landmark e eu sou completamente apaixonada por ela. Além de ser capa dura, é bilíngue! O que achei muito bacana e me ajudou a estimular meu inglês. E eu confesso que tinha um pouco de receio de ser tudo muito arcaico, mas a tradução ficou ótima e quando se tratava de algo muito específico, havia remissões para explicar.

Follow Us @marshmallowcomcafe